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Uma geração de mulheres obcecadas pelo vestido de "Como Perder Um Homem em Dez Dias"

  • Comunicação e Marketing
  • 26 de jan.
  • 4 min de leitura

Por: Melissa Mangueira


Imagine que você é um profissional de marketing do ramo de moda e precisa, de um jeito ou de outro, entender os comportamentos da tão temida geração Z. Se os millenials enquanto crianças sonhavam com carros futuristas e voadores, a geração seguinte decidiu ir completamente contra a maré.  O que estamos querendo dizer é que se alguém quisesse entender como a Geração Z consome moda hoje, talvez não precisasse olhar para os desfiles mais recentes nem para os relatórios de tendências. Bastaria observar um fenômeno curioso: jovens que nem eram nascidas em 2003 seguem absolutamente fascinadas por um vestido que apareceu por poucos minutos em uma comédia romântica queridinha: Como Perder um Homem em 10 Dias. 


O vestido amarelo de Kate Hudson não apenas sobreviveu ao seu tempo como parece ter sido promovido, vinte anos depois, a uma espécie de artefato cultural. Ele reaparece em vídeos, em recriações, em fantasias, em festas temáticas e em qualquer outro ambiente que demonstra o quão obcecadas somos por ele.


Vestido amarelo de Kate Hudson na comédia romântica
Vestido amarelo de Kate Hudson na comédia romântica

Antes, talvez seja preciso dizer o óbvio: o cinema sempre foi uma máquina extremamente eficiente de produzir desejos. Muito antes das redes sociais, foi na tela que aprendemos a reconhecer o que é um “vestido inesquecível”, uma “entrada triunfal” e, até mesmo, uma “mulher que muda o destino da própria narrativa”. Durante décadas, filmes ensinaram não apenas como amar, mas também como se apresentar ao mundo. Audrey Hepburn eternizou o pequeno vestido preto em "Bonequinha de Luxo" e, com ele, uma ideia inteira de elegância dentro dos cenários urbanos.


Vestido preto em Bonequinha de Luxo de Audrey Hepburn
Vestido preto em Bonequinha de Luxo de Audrey Hepburn

Por sua vez, Marilyn Monroe fez do vestido branco esvoaçante sobre a grade do metrô um dos frames mais reconhecíveis da história do século XX. Me diga: quem é a pessoa que nunca viu essa foto em alguma publicidade ou revista de moda? 


Vestido branco de Marilyn Monroe
Vestido branco de Marilyn Monroe

E por fim, Julia Roberts transformou um vestido vermelho, em "Uma Linda Mulher", num símbolo quase didático de transformação e reconhecimento social. Estamos diante de, sem dúvidas, um dos vestidos mais icônicos no mundo do cinema.


Vestido vermelho de Julia Roberts em Uma Linda Mulher
Vestido vermelho de Julia Roberts em Uma Linda Mulher

De modo geral, é visível o quanto esses vestidos se tornaram algo maior do que roupas. Algo que nós, talvez, pudéssemos traduzir em forma de símbolo, imagem e desejo. O vestido amarelo de Andie Anderson pertence exatamente a essa tradição, embora com uma diferença importante: ele não nasce de um drama, nem de uma narrativa de superação, nem de um arco trágico. Ele surge em uma comédia romântica leve, quase despretensiosa, e talvez por isso mesmo seja tão potente. Quando Kate Hudson entra no salão com aquele vestido longo, de tecido fluido e decote profundo, o filme pausa por um segundo. O olhar do personagem masculino pausa… e o nosso também. Não porque seja um vestido excessivo, mas justamente porque ele parece não fazer esforço algum para ser memorável. Mas, de um jeito ou de outro, acaba sendo. Afinal, é por conta dele que esse artigo está sendo escrito.


Há algo de muito simbólico em ele ser exclusivamente amarelo. O amarelo raramente ocupa o lugar de cor “segura” na moda, muito menos em vestidos de noite. Ele não tem o drama do vermelho, nem a sobriedade do preto, nem a sofisticação imediata dos tons fechados. Talvez seja exatamente por isso que funcione tão bem: ele não comunica poder, mas uma vitalidade jovem que talvez ninguém seja capaz de explicar. Se felicidade fosse uma cor, ela seria amarela, não concorda?


Agora, voltamos para a geração Z e o seu trabalho como profissional de marketing. A loirinha (ou então, a carinhosamente chamada de mini loirinha) Sabrina Carpenter nos ajuda e explica claramente o sentimento de nostalgia que a geração Z sente como ninguém. A cantora comemorou seu aniversário com duas coisas mais do que icônicas. A primeira, um bolo cujo centro era enfeitado com o meme do Leonardo DiCaprio com a frase "nooo don't turn 25 your so sexy aha", ou, em tradução livre, "não faça 25 anos, você é muito sexy", em referência à fama do ator de só namorar mulheres jovens.


Foto: Sabrina Carpenter (Reprodução/Instagram)
Foto: Sabrina Carpenter (Reprodução/Instagram)

A segunda, é o que casa com o que está sendo escrito por aqui. O vestido usado por Sabrina foi inspirado no icônico longo e amarelo, utilizado por Kate Hudson. A comédia romântica que virou um clássico do gênero entrou para história e é só rolar o TikTok para, eventualmente, cair em algum vídeo sobre o look.


Foto: Sabrina Carpenter (Reprodução/Instagram)
Foto: Sabrina Carpenter (Reprodução/Instagram)

O cinema, nesse sentido, continua sendo um grande arquivo emocional da moda. Mesmo para uma geração que muitas vezes não viu esses filmes no cinema, mas em streaming, em cortes no TikTok ou em vídeos de referência no Instagram, essas imagens ainda carregam peso simbólico. Elas não são apenas bonitas. Elas significam alguma coisa. Elas contam uma história sobre quem veste e sobre quem olha.


A obsessão contemporânea pelo vestido de Como Perder um Homem em 10 Dias talvez diga menos sobre o vestido em si e mais sobre um desejo difuso de recuperar uma relação mais encantada com a imagem. Um tempo em que a roupa não precisava ser irônica, nem conceitual, nem autoconsciente o tempo todo. Bastava ser bonita e bastava marcar um momento. E olha, como esse vestido longo amarelo marcou momentos!


No meio de tantas estéticas passageiras, talvez a Geração Z esteja, mesmo sem perceber, procurando novos clássicos. Ou, quem sabe, tentando se agarrar aos antigos. E, nesse movimento, o vestido amarelo segue cumprindo sua função mais rara: lembrar que, às vezes, uma boa imagem ainda pode atravessar décadas sem perder a capacidade de nos fazer querer entrar em uma sala como se aquele fosse, finalmente, o nosso momento de cinema.


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