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Turbantes - O Tecido como um Ato de Resistência e Empoderamento.

  • Comunicação e Marketing
  • 15 de abr.
  • 2 min de leitura

Turbantes - O Tecido como um Ato de Resistência e Empoderamento.


Por Camila Gratens 14.04.2026


Os cabelos são uma forma de expressão muito forte entre pessoas negras. São um contato direto com a origem do ser e com a sua identidade. As diferentes texturas e penteados também contam histórias e são utilizados como meio de empoderamento nas sociedades atuais, sendo assim, podemos observar como os acessórios de cabeça e turbantes também são meios de se construir essa linguagem simbólica. Nesse post, vamos entender como o turbante, para além de um item de moda, é utilizado como um ato de resistência e empoderamento.


Reprodução : Fabrice Monteiro.


O turbante, palavra que se refere ao tecido e a amarração feita nele, carrega história e ancestralidade, cada indivíduo tem sua própria percepção em relação ao seu uso. O turbante chegou ao Brasil durante o período da colonização, quando mulheres escravizadas que vinham da Senegâmbia, de Angola, da Costa da Mina e Benin traziam a memória desse item, cada uma delas o utilizava de uma maneira específica, como objeto de proteção espiritual, como auxiliador ao levar itens pesados apoiados na cabeça ou como diferenciador dentro de uma mesma sociedade, dessa maneira, para alguns indivíduos, desde a forma como ele é amarrado até os tecidos que são utilizados, possuem um significado.


Reprodução: Mascoteda Creative Studio.


Entendendo que cada povo pode ter vários entendimentos em relação ao turbante, podemos olhar para o lado espiritual percebido por alguns indivíduos no Brasil. O Ojá, é um tecido utilizado como turbante nas religiões de matriz africana brasileiras, ele protege o Ori no Candomblé, a cabeça do indivíduo, esse tecido também pode ser amarrado em outras partes do corpo, em atabaques e até em determinadas árvores dentro do terreiro, sendo que cada uma dessas ações tem uma motivação.


Reprodução : Giácomo Mancini.



Durante o período da escravidão, os colonizadores utilizavam de muitos aspectos para controlar os corpos dos indivíduos e retirarem suas identidades. Um exemplo desse controle foi a lei Tignon, estabelecida na Louisiana em 1786, nela se estabelecia a obrigatoriedade do uso dos turbantes, pois, segundo as autoridades, as mulheres negras adornavam muito seus cabelos e isso atrairia os olhares dos homens brancos, assim os turbantes seriam impostos como um meio de acabar com esses adornos e diferenciariam as mulheres. Porém, depois de um tempo, as mulheres começaram a decorar seus lenços e a trazerem de volta as amarrações, voltando a estimular a autoestima e força feminina.


Apesar da beleza e dos significados dos turbantes para a cultura negra, quando pessoas negras o utilizam ainda correm o risco de serem alvos do preconceito e do questionamento. O uso na atualidade, na diáspora africana, vem como uma forma de manter viva essa ancestralidade, como um modo de se mostrar presente, de contrapor o olhar de estranheza do outro, de adornar e mostrar a beleza do corpo, de reviver a autoestima do indivíduo e por um olhar religioso proteger o seu ser.


Reprodução: Pinterest. 


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