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Naomi Osaka e a performance esportiva

Comunicação e Marketing
23 de ago.
3 min de leitura

Por: Sacha Oliveira da Silva


O mundo dos esportes sempre foi, e, em muitas instâncias, continua sendo, um espaço pautado nas aparências. Participar de uma competição de escala olímpica ou de importância nacional ou internacional não é apenas uma demonstração de habilidade, mas também um holofote para o país de origem do esportista e, sobretudo, para sua imagem e identidade. A atenção derivada do esporte pode, simultaneamente, trazer grande prosperidade para um atleta e destruir sua reputação e carreira. Assim, ao analisar uma das figuras mais célebres do mundo dos esportes e da moda atualmente, a tenista japonesa Naomi Osaka, é possível traçar paralelos entre expressão artística e construção de marca.


Fonte: Naomi Osaka, Getty Images.
Fonte: Naomi Osaka, Getty Images.

O tênis, historicamente, foi um dos esportes prediletos das elites de países como França e Inglaterra. Embora esse estereótipo venha sendo combatido no contemporâneo, os altos custos que essa prática envolve, seja com equipamentos, seja com aulas regulares, mantém ela ao alcance de poucos. Dito isso, percebe-se também que a estética do tênis, descrita como tenniscore, surgiu justamente da criação de um desejo pelo visual que circunda as roupas tipicamente usadas no esporte. Viseiras, munhequeiras, short-saia, tops, meias altas, blusas Polo curtas… a raquete aparenta ser um acessório em meio ao conjunto de peças que compõem o “look”. Mesmo sendo um esporte em que a roupa, muitas vezes, vem antes da pessoa, devido a regulamentos rígidos acerca do código de vestimenta, o traje do típico tenista acaba não fugindo das cores neon e da modelagem esportiva, associada aos jogadores de qualquer esporte de escala internacional.


Em meio a um ambiente um tanto quanto quadrado, Naomi Osaka faz com que quem quer que esteja assistindo preste atenção nela ao se deparar com seus looks. No campeonato de Wimbledon, por exemplo, em que os atletas são obrigados a usarem trajes inteiramente brancos (sendo essa uma tradição de aproximadamente 150 anos), Osaka causou grande impacto ao adentrar a quadra com um quimono esvoaçante, feito pela estilista Hana Yagi. A atleta fez o uso dessa peça não somente para homenagear seu país de origem, mas pela sua atenção ao detalhe na construção de uma narrativa. Ela relatou que uma de suas inspirações para a roupa foi a personagem Lucy Liu do filme Kill Bill e, dessa maneira, conseguiu contornar uma regra que é restritiva, fazendo com que os telespectadores reconheçam a sua identidade através de suas roupas. Mesmo após remover o quimono para poder competir, a tenista encantou muitos ao revelar uma roupa esportiva igualmente decorada e delicada, o que traduziu seu desejo tanto por uma entrada triunfal quanto pela manutenção de sua autenticidade durante o jogo.


Fonte: Robert Prange, Getty Images
Fonte: Robert Prange, Getty Images

As escolhas da atleta revelam uma busca por reconhecimento que vai além de seu talento, criando um espaço próprio em que ele se torna não somente fácil, mas esperado. Na competição de Janeiro de 2026, na Austrália, Naomi Osaka entrou usando uma roupa derivada da coleção de Outono/Inverno de 2024 do designer Robert Wun. Ao fazer isso, a confiança da atleta fica clara, já que o resultado da partida não tira o impacto de sua entrada, marcando sua presença independente de ganhar ou não. Outro aspecto interessante sobre sua escolha de roupas está na sua conexão com o movimento necessário para executar o esporte. Em maio deste ano, a tenista escolheu usar um corpete dourado com lantejoulas, que reluziu quando começou a jogar, e uma saia leve, porém volumosa, que compunha o look e que contribuiu para esse efeito.


Fonte: CHRISTOPHE SAIDI/SIPA/Shutterstock
Fonte: CHRISTOPHE SAIDI/SIPA/Shutterstock

Fonte: Foto feita por @AdamKudemati, @seebasschin, e @ccgsocial no Instagram
Fonte: Foto feita por @AdamKudemati, @seebasschin, e @ccgsocial no Instagram

A atenção ao detalhe vai muito além de simplesmente se expressar. Sendo o tênis um esporte que não possui um uniforme oficial, a liberdade de escolha do atleta lhe dá uma oportunidade de construir sua imagem de uma maneira bem mais autêntica, e, dessa forma, Osaka consegue atrelar a sua pessoa um caráter inusitado ao desviar do padrão sutil das roupas usadas pelos demais tenistas. Além disso, ao contornar regras e regimentos, ela deixa claro que ainda assim é possível ser criativo e construir uma história.


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