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John Galliano: Horizons - o Met Gala 2027 homenageia um dos grandes nomes da moda

Comunicação e Marketing
25 de ago.
4 min de leitura

Por: Victor Tiete Bonfim


Você já imaginou um dos maiores eventos de moda do mundo sendo dedicado à trajetória de um único designer? Em 2027, o Metropolitan Museum of Art fará isso com John Galliano, um dos nomes mais teatrais e influentes da moda contemporânea. A exposição do Costume Institute, intitulada “John Galliano: Horizons”, será a terceira exposição monográfica do instituto dedicada a um designer vivo, depois de Yves Saint Laurent e Rei Kawakubo. Mas quem é John Galliano e o que tornou sua trajetória tão importante para a moda? 


Imagem: John Galliano. Fonte: Vogue
Imagem: John Galliano. Fonte: Vogue

John Charles Galliano nasceu em 28 de novembro de 1960, em Gibraltar. Filho de pai gibraltino e de mãe espanhola, mudou-se com a família para o sul de Londres aos seis anos. Sua formação aconteceu na Central Saint Martins, onde se graduou em 1984 com a coleção “Les Incroyables” (1984), inspirada na França após a Revolução Francesa. O acervo foi comprado integralmente pela boutique londrina Browns e marcou o início de uma carreira caracterizada pela teatralidade, pelo exagero e pela transformação de referências históricas em narrativas de moda.


Imagem: Les Incroyables (Coleção de Formatura, 1984), John Galliano. Fonte: John Galliano Fashion Awareness
Imagem: Les Incroyables (Coleção de Formatura, 1984), John Galliano. Fonte: John Galliano Fashion Awareness

Desde o início de sua carreira, Galliano demonstrou que suas roupas não precisavam apenas vestir um corpo: elas poderiam contar uma história. Suas coleções exploravam diferentes períodos, personagens e culturas, criando imagens que pareciam sair de filmes ou de peças de teatro. Essa maneira de apresentar a moda fez com que seus desfiles se tornassem tão importantes quanto as próprias roupas.


Coleções como “Fallen Angels” (Springer/Summer 86) e “Napoleon and Josephine” (Spring/Summer 92) mostram como o designer partiu de personagens e acontecimentos históricos para construir suas coleções. Em vez de simplesmente reproduzir o passado, Galliano o transformava em uma nova narrativa através das silhuetas, dos materiais, da maquiagem, dos penteados e da própria apresentação na passarela.


Imagem: Coleção “Fallen Angels” (Spring/Summer 86), John Galliano. Fonte: Tumblr
Imagem: Coleção “Fallen Angels” (Spring/Summer 86), John Galliano. Fonte: Tumblr
Imagem: Coleção  “Napoleon and Josephine” (Spring/Summer 92), John Galliano. Fonte: Instagram
Imagem: Coleção  “Napoleon and Josephine” (Spring/Summer 92), John Galliano. Fonte: Instagram

Em 1995, Galliano chegou à Givenchy, tornando-se o primeiro designer britânico a assumir a direção de uma grande maison francesa de alta-costura. Sua passagem pela casa durou apenas um ano, mas foi suficiente para abrir caminho para um dos momentos mais importantes de sua carreira: sua nomeação como diretor criativo da Christian Dior, em 1996.


Durante seus anos na maison, seus desfiles ficaram conhecidos pela grandiosidade e pela capacidade de transformar referências históricas em espetáculos, e paralelamente, na Dior, Galliano encontrou uma plataforma ainda maior para desenvolver e expandir o seu universo criativo. Um exemplo é a coleção de alta-costura da Christian Dior “Poetic Tribute to the Marchesa Casati” (Spring/Summer 98), que foi uma homenagem  teatral e espetacular à excêntrica e lendária Marchesa Luisa Casati e que transformou as modelos em visões espetaculares e fantasmagóricas, celebrando o glamour decadente da nobre italiana do início do século XX.


Imagem: Coleção “Poetic Tribute to the Marchesa Casati”, de Christian Dior, por John Galliano (Spring/Summer 98). Fonte: Pinterest
Imagem: Coleção “Poetic Tribute to the Marchesa Casati”, de Christian Dior, por John Galliano (Spring/Summer 98). Fonte: Pinterest

Sua passagem pela Dior também ajudou a consolidar uma nova relação entre moda e espetáculo. Os desfiles passaram a funcionar como grandes produções, nas quais cenário, iluminação, música, maquiagem e styling contribuíam para construir o universo imaginado pelo designer. Galliano não apresentava apenas uma coleção: apresentava personagens e histórias. 


Em 2011, porém, sua carreira sofreu uma ruptura após um episódio de declarações antissemitas em Paris, que levou à sua saída da Dior e ao afastamento da indústria da moda. O acontecimento passou a fazer parte inseparável de sua trajetória e também é uma das questões que a nova exposição do Costume Institute pretende abordar. 


Alguns anos depois, Galliano retornou à moda através da Maison Margiela, assumindo a direção criativa da casa em 2014. Na Margiela, encontrou uma linguagem diferente daquela desenvolvida na Dior: passou a explorar com maior intensidade a desconstrução, a transformação das roupas e os próprios processos de construção da alta-costura. 


Imagem: Coleção de Maison Margiela, por John Galliano (Fall/Winter 2015). Fonte: Vogue
Imagem: Coleção de Maison Margiela, por John Galliano (Fall/Winter 2015). Fonte: Vogue

Galliano continuou trabalhando com teatralidade e narrativa, mas passou a olhar mais para dentro da própria roupa, revelando estruturas, técnicas e processos que normalmente permanecem escondidos. A experiência na Margiela mostrou que sua criatividade poderia continuar evoluindo sem abandonar a característica experimental que acompanha sua carreira desde os anos 1980.


É justamente essa trajetória de mais de quatro décadas que “John Galliano: Horizons” pretende apresentar. Com curadoria de Andrew Bolton, a exposição reunirá roupas, desenhos, toiles e materiais de arquivo para acompanhar a evolução do designer desde sua coleção de formatura, em 1984, passando por sua própria marca, Givenchy e Dior, até sua transformação na Maison Margiela.  


Imagem: “John Galliano: Horizons”. Fonte: The Metropolitan Museum of Art
Imagem: “John Galliano: Horizons”. Fonte: The Metropolitan Museum of Art

O título “Horizons” também combina com a própria maneira como Galliano construiu sua carreira: constantemente olhando para diferentes épocas, personagens e referências para criar novas possibilidades para a moda. A exposição não pretende apresentar apenas seus maiores sucessos, mas ainda acompanhar os altos e baixos de sua trajetória, incluindo a controvérsia de 2011 e seu processo posterior de reconstrução profissional.


A escolha de Galliano mostra a dimensão de sua influência na moda. Seus trabalhos ajudaram a transformar o desfile em uma experiência narrativa, aproximando a roupa do teatro, do cinema, da história e da performance. Sua capacidade de criar personagens e mundos fez com que suas coleções ultrapassassem a passarela e permanecessem como referências visuais para diferentes gerações. 


Em 2027, o Met Gala não irá apenas celebrar roupas inspiradas em John Galliano: irá colocar em evidência toda a trajetória de um designer que ajudou a transformar a moda em espetáculo, narrativa e imaginação. Com Horizons, o Costume Institute terá a oportunidade de revisitar tanto o legado criativo quanto as contradições de uma das figuras mais marcantes da moda contemporânea. 


Quais peças das coleções de alta-costura dirigidas por John Galliano você está ansioso para ver no Met Gala?


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