top of page

Afinal, como Lucas Pinheiro Bartheen conseguiu levar moda, arte (e até uma medalha) para o esqui nas olimpíadas de inverno?

  • Comunicação e Marketing
  • 18 de fev.
  • 4 min de leitura

Por: Melissa Mangueira


Se você já assistiu a uma prova de esqui alpino, sabe que não é exatamente um ambiente conhecido por experimentação estética. Predominam uniformes técnicos, cores funcionais, performance em primeiro plano e uma cultura historicamente europeia, formal e bastante tradicional. Ainda assim, de uns anos para cá, um atleta começou a quebrar essa expectativa com certa naturalidade: unhas pintadas, styling pensado, presença forte fora e dentro das pistas, referências musicais brasileiras, interesse real por moda e uma postura quase performática diante das câmeras. Não demorou para o nome circular além do noticiário esportivo: Lucas Pinheiro Braathen virou assunto também na moda, no marketing e na cultura pop.


Foto de True Color Films / Red Bull Content Pool
Foto de True Color Films / Red Bull Content Pool

A história dele começa longe do imaginário tropical que hoje acompanha sua imagem. Lucas nasceu em Oslo, na Noruega, em 2000, filho de pai norueguês e mãe brasileira, Alessandra Pinheiro, o que lhe permitiu manter contato constante com o Brasil desde a infância. Cresceu entre dois universos culturais muito distintos e frequentemente fala sobre essa sensação de não pertencer totalmente a nenhum deles, algo que acabou moldando sua personalidade e, mais tarde, a maneira como se posiciona publicamente. A entrada no esqui aconteceu cedo, quase por insistência do pai, num contexto bastante típico de países nórdicos, embora ele mesmo já tenha contado que inicialmente resistia ao esporte por causa do frio e da disciplina exigida.


O talento apareceu muito, mas muito rápido. Ainda adolescente, ele já era visto como promessa do esqui alpino mundial e logo passou a competir profissionalmente pela Noruega. Vieram vitórias importantes na Copa do Mundo, incluindo o título geral do slalom em 2023, consolidando sua posição entre os principais nomes da modalidade. A carreira parecia seguir o roteiro clássico de um atleta de elite até outubro daquele mesmo ano, quando anunciou uma aposentadoria repentina aos 23 anos, após conflitos públicos com a federação norueguesa relacionados a direitos de imagem, autonomia e liberdade de expressão pessoal. O gesto surpreendeu o esporte e, ao mesmo tempo, revelou um traço que depois se tornaria central na narrativa dele: a recusa em separar completamente identidade pessoal de performance profissional.


Uniforme de Lucas no gelo em referência ao Brasil
Uniforme de Lucas no gelo em referência ao Brasil

Meses depois veio o retorno, desta vez defendendo o Brasil, país da mãe e uma referência afetiva antiga. A mudança não foi apenas burocrática. Funcionou como reposicionamento simbólico. Ele passou a falar mais abertamente sobre criatividade, autenticidade, cultura brasileira e expressão individual, elementos que começaram a aparecer também no visual e na comunicação pública. Em 2026, esse movimento ganhou dimensão histórica quando Lucas conquistou o ouro no slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, a primeira medalha de inverno da história do Brasil e de toda a América do Sul. A vitória consolidou não só o atleta, mas a narrativa construída ao redor dele.


Lucas com sua medalha nas olimpíadas de inverno de 2026
Lucas com sua medalha nas olimpíadas de inverno de 2026

Existe, porém, uma camada interessante além do resultado esportivo. Lucas nunca tratou a estética como detalhe periférico. Ele participa do desenvolvimento de uniformes, mantém relação próxima com marcas de moda e já apareceu em contextos fashion que tradicionalmente não dialogam com esportes de inverno. Em cerimônias oficiais e eventos internacionais, suas escolhas visuais frequentemente geram comentários, elogios e até críticas, o que indica algo raro: a roupa deixou de ser apenas equipamento técnico e passou a funcionar como linguagem.


Isso tem impacto direto na forma como o esporte se comunica com novas audiências. O esqui alpino sempre carregou uma imagem elitizada, distante e pouco diversa. Quando surge um atleta que dança samba na comemoração, mistura referências tropicais com neve, fala português fluentemente e demonstra interesse genuíno por moda e música, a percepção muda. O público jovem se identifica, a imprensa amplia cobertura e as marcas enxergam novas possibilidades narrativas.


Também existe um aspecto geracional evidente. Atletas mais jovens cresceram entendendo que imagem, branding pessoal e expressão cultural caminham juntos. Redes sociais aceleraram isso. Lucas representa bem essa transição porque não parece adotar estética como estratégia calculada, mas como extensão orgânica de identidade. Essa autenticidade percebida é, hoje, um dos ativos mais valiosos na comunicação contemporânea.


É a primeira vez que vemos moda presente nos esportes? Não! Curiosamente, ela sempre esteve presente ali, embora nem sempre fosse reconhecida como tal. Uniformes olímpicos, equipamentos técnicos, patrocínios esportivos e styling de performance sempre carregaram discurso visual. A diferença agora é a consciência disso. Lucas não inventa a relação entre moda e esporte, ele explicita, dramatiza e transforma essa relação em narrativa pública.


Rebeca Andrade com figurino de pedrarias e maquiagem para as olimpíadas
Rebeca Andrade com figurino de pedrarias e maquiagem para as olimpíadas

No fim das contas, talvez o fenômeno diga menos sobre roupas ou medalhas e mais sobre o tipo de atleta que começa a ganhar espaço no imaginário coletivo. Um profissional que performa resultado esportivo, mas também identidade, cultura e posicionamento estético. Num mundo em que imagem comunica tanto quanto performance, essa combinação deixa de ser acessório e vira parte central da carreira.


E talvez seja exatamente isso que torne Lucas Pinheiro Braathen um personagem tão interessante neste momento. Não apenas um campeão olímpico improvável vindo de um país sem tradição em esportes de inverno, mas um símbolo de como esporte, moda e cultura já não operam em territórios separados. Hoje, eles se misturam, se alimentam e, em alguns casos, redefinem completamente a forma como enxergamos um atleta!


Gostou da leitura? Então siga a Trama Jr. em todas as redes sociais para ficar por dentro de tudo sobre o universo da moda!



 
 
 

Comentários


Fique por dentro de tudo que acontece na TRAMA Júnior:

bottom of page