Zara: O Reposicionamento do Fast Fashion
- Comunicação e Marketing
- 11 de jun.
- 3 min de leitura
Por: Lorenzo Manzi
No ano de 2020, com o desenrolar da pandemia, a preferência do público por comprar roupas online aumentou. Assim, marcas como Shein e Temu obtiveram um crescimento estrondoso em seus negócios devido à sua grande disponibilidade de produtos e seu baixo custo, o que era o começo do ultra-fast fashion. Para marcas de fast fashion consolidadas, como a Zara, aquele também era o início de seu mais novo desafio: como prosseguir crescendo na moda rápida, quando alguém é mais rápido que você? Hoje, podemos ver nitidamente a resposta.
Desde 2022, com a assunção da filha do fundador, Marta Ortega Pérez, à presidência, a marca vem anunciando grandes parcerias com estilistas renomados como Narcizo Rodriguez, Stefano Pilati e, recentemente, John Galliano.

Além disso, a empresa vem marcando presença em grandes eventos da cultura pop, como o Super Bowl e o Met Gala desse ano, ambos através de Bad Bunny, o cantor recém ganhador do grammy de Albúm do Ano, com o qual a marca lançou uma coleção de 150 peças no dia 21/05.

Toda essa inclinação da empresa ao mainstream não se trata de uma simples jogada de marketing, mas sim de um reposicionamento da marca como um luxo acessível. O raciocínio é simples: se a marca não consegue competir com as empresas chinesas nos preços baixíssimos, ao mesmo tempo em que sua proposta de produzir diversos produtos ao longo do ano destoa do mercado de luxo, a empresa se dirige a ocupar o espaço intermediário dos dois mercados.
A grife redefine sua identidade focando mais na qualidade do que na quantidade de suas mercadorias comercializadas, paralelamente, aumentando seu preço, mas ainda sendo mais barata do que as marcas de luxo tradicional. Isso ocorre ainda mantendo uma massa de coleções sendo lançadas anualmente, mas às direcionando como linhas premium, sendo feitas em colaboração com artistas e divulgadas por supermodelos.

Outra estratégia adotada pela marca está ligada ao uso de seus espaços físicos. Durante muitos anos, o crescimento da marca era refletido por uma multiplicação rápida de suas lojas, pois com muitos pontos de venda, a marca propagava rapidamente suas coleções. Entretanto, a estratégia que parte da lógica do próprio fast fashion mudou.
Só no ano de 2025, houve o fechamento de 52 lojas Zara ao redor do globo. Essa reorganização da empresa consiste em aumentar sua presença digital e otimizar o uso de seus locais de operação. Na prática, a marca cria um ecossistema entre a loja física e a online, melhorando a experiência de compra do cliente como um todo, e uma vez que o comércio digital cresce, o lugar físico deixa de ser apenas sobre transações, mas passa a ser, também, sobre experiência.
Dessa forma, a Zara tem investido em espaços maiores, contando com uma organização visual de suas coleções e produtos mais limpa e refinada ao público. A grife também reconfigura suas lojas implementando cafeterias e espaços de lazer para seus clientes, assim melhorando a experiência de jornada de compra de sua clientela.

O resultado disso? Em 2026, a marca que buscava se posicionar para além do fast fashion, como forma de se adaptar às concorrentes imparáveis, alcançou o posto de marca de moda mais valiosa do mundo, com um crescimento de 18% em comparação a 2025, segundo o relatório Kantar Brandz.
Com uma boa visão de mercado, a empresa soube reorganizar seu modelo de negócios e se reposicionar eficientemente perante a visão de seu público, gerando a ela incontestáveis lucros.
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