O estilo de Nanda Tsunami, a bruxa da cena musical paulistana
- Comunicação e Marketing
- 25 de jun.
- 3 min de leitura
Por: Gustavo Feliciano
A bruxaria de Nanda Tsunami é uma linguagem. Em suas músicas e roupas, a artista constrói uma persona que mistura espiritualidade, feminilidade e a energia das ruas paulistanas.

A Construção de ‘Nanda Tsunami”
Nanda Tsunami é o nome artístico de Fernanda Xavier Ferreira Santana, uma mulher nascida e criada na capital paulista. Atualmente, aos 26 anos, encontra-se no auge de sua carreira, já tendo contribuído para a cena do trap e do funk com excelentes álbuns, “Tsunami Season”, lançado em 2024, “É Disso Que Eu Me Alimento”, lançado em 2025, e singles.
Entre eles, destacam-se: “P.I.T.T.Y (Parecendo Uma Cafetina)”, “Faço Acontecer” e o mais recente “BOMBOCLATT”, que reforçam a potência criativa de Nanda com letras que permeiam temas esotéricos e de empoderamento feminino.
[LINK DE “FAÇO ACONTECER” NO YOUTUBE - https://youtu.be/gxrm-Dh-gHU?is=7Ni32axh1J2VCZjC]
Em “Poetas no Topo 5”, projeto em colaboração com mais 7 artistas, Nanda atinge a primazia de seu estilo único de compor, fortalecendo sua narrativa enquanto uma verdadeira “magicista” da cena musical.
Na letra, a artista conversa diretamente com o ouvinte, conduzindo-o por frases de autoafirmação, subliminares, temas filosóficos e até mesmo pela técnica de meditação guiada HO`OPONOPONO, empregada sorrateiramente entre os versos.
Nanda é verdadeiramente “uma informante que aprendeu com a vida” e coloca em sua arte todos esses ensinamentos, fato que confere genuinidade a seu trabalho, uma potente ferramenta comunicativa.
De forma perspicaz, e ao mesmo tempo muito natural, Nanda explora temas religiosos e faz deles uma ponte de diálogo entre o seu próprio “ser artístico” e o seu ouvinte, consolidando uma narrativa de reconhecimento e identificação mútua, que desemboca na lealdade de seus inúmeros fãs.
A Moda na Arte de Nanda Tsunami
Além da composição, Nanda vale-se de outro instrumento igualmente poderoso para criar sua própria atmosfera mística - a moda – elemento que mais nos fascina neste blog!
Analisando seus últimos looks através das redes sociais e bancos de imagem, observamos que o estilo de Nanda se concentra na intersecção entre uma feminilidade quase ingênua e uma forte manifestação de fé e devoção. Tudo isso sem abandonar o street style, em uma proposta estética que parece refletir mais a identidade pessoal do que a persona artística.
Para facilitar a leitura dessa artista multifacetada, separamos alguns looks de Nanda seguindo três categorias pré-mencionadas: o estilo ultra feminino, a estética religiosa e o traje das ruas.
Em seu lado mais garota, a artista aposta em saias em suas mais variadas versões: balonê, plissada, tubinho, com babados, longas com fendas, entre outras. Notamos também o uso de tops de renda, com laços, bordado com flores, muito brilho e pedrarias.



Empiricamente, podemos ler a manifestação desse estilo na carreira de Nanda de diversas formas. Uma delas seria como, puramente, a vontade da artista em parecer feminina.
Outra forma – e talvez a mais consistente- seria a de demandar a presença da feminilidade em um espaço marcado pela atuação massiva dos homens, como no trap e no funk. Assim, Nanda expressa na prática toda a sua segurança em relação à própria imagem e ao meio em que está inserida, estremecendo o padrão de estética altamente masculinizado da cena.
Nanda realmente “faz acontecer” e não decepciona quando explora o seu lado mais místico por meio das roupas.
Como parte de uma tradição cultural brasileira marcada pelo diálogo entre diferentes crenças, o sincretismo religioso aparece nas vestimentas da artista em referências católicas, imagens e símbolos ligados a religiões de matriz africana, ao ocultismo, como na bruxaria, e em referências espirituais da cultura oriental que adornam o corpo de Nanda, elevando-o a um verdadeiro mosaico sagrado.



Já seu lado mais moleca é expressado pelo uso de correntes pesadas, camisas e tênis esportivos, moletons largados, calças amplas e até mesmo ternos descontruídos. Essa linguagem estética e visual posiciona a artista num lugar de disrupção, uma vez que ao aderir ao seu estilo códigos de vestimenta socialmente lidos como masculinos, ela irrompe a lógica social de gênero e sustenta a imagem de uma mulher que se permite vestir como quiser, sem ser “menos feminina” e sem se submeter à imposição patriarcal da cena para ser simplesmente aceita.




Bubuzinha, esotérica ou Boyish, há de se reconhecer que Nanda não peca no estilo ao mesmo tempo em que expande as linhas do seu rap para além da música, encontrando na moda uma extensão de sua visão de mundo, manifestando tudo aquilo que deseja ser e pretende fazer, sem sermões e limitações.
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