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Afinal, moda é arte ou não?

  • Comunicação e Marketing
  • 2 de jun.
  • 3 min de leitura

Por: Ana Macedo


Após o Met Gala 2026, com o tema “Costume Art” e dress code “Fashion is art”, este questionamento, que é um dos mais recorrentes e subjetivos do universo da moda, ressurge. Já antecipo: não há consenso ainda hoje.


Reprodução: Getty Images
Reprodução: Getty Images

Ao se aprofundar na moda, é inevitável se deparar com essa discussão. Muitos defendem a moda como manifestação artística, e não é à toa: peças escultóricas e trajes inspirados em obras de arte são bem habituais na alta costura. Apesar disso, outros afirmam que a moda é expressão própria e não deveria precisar ser considerada arte para ser reconhecida.


A intenção aqui não é chegar em uma conclusão – até porque nem os próprios designers chegaram a uma — mas sim levantar argumentos de ambos os posicionamentos. Para isso, precisamos entender como essas expressões surgiram.


Como já se pode imaginar, as primeiras manifestações artísticas de que temos registros são as pinturas rupestres feitas há milhares de anos. Ali, surge a arte como forma de expressão e, mais do que isso, comunicação. Isso mostra como a arte, desde seus primórdios, reflete as necessidades e valores da sociedade que a cerca. Já a moda surgiu com a urgência de se proteger das mudanças climáticas e perigos do ambiente — na pré-história — e se moldou ao longo do tempo de acordo com a evolução do ser humano e sua vontade de expressar diferentes ideias. No renascimento, por exemplo, a moda passou a possuir um novo significado: poder e status. Nesse momento nasce a moda como ferramenta de diferenciação social.


Reprodução: NMWA
Reprodução: NMWA

É inegável que a moda e a arte andam lado a lado desde a origem da humanidade e que seus conceitos se transformaram e expandiram com o passar dos anos, mas onde começa uma e termina a outra?


Karl Lagerfeld declarou que “Arte é arte. Moda é moda”. Outros nomes, como Miuccia Prada e Rei Kawakubo, defendem essa premissa. Isso porque eles (e muitos outros designers) consideram que a moda possui autonomia e, mais do que isso, uma função prática além da estética. Para Kawakubo, a moda é muito grandiosa para ser tratada como um subproduto da arte e sua importância social e cultural vão além desse rótulo. A moda é uma necessidade do dia a dia do ser humano e está diretamente relacionada com o modo de produção capitalista e o consumo. Após a Revolução Industrial e a automatização dos processos, a moda passou a ter cada vez mais criações constantes e rápidas mudanças de tendências, o prêt-à-porter — ou ready to wear, é a moda comercial produzida em larga escala, disponível para compra imediata nas lojas — e o fast fashion são os grandes exemplos disso.


Reprodução: Vogue
Reprodução: Vogue

Enquanto isso, outros estilistas se consideram artistas, pois a moda, assim como a arte, diz algo sobre a nossa sociedade em um determinado período da história. Ambas são marcadores sociais, culturais e históricos — são movimentos. Elas conversam e se influenciam a todo momento. Muitas peças de roupa são consideradas verdadeiras obras de arte pela riqueza de detalhes e pela mensagem que comunicam. O próprio Met (Metropolitan Museum of Art) possui uma ala inteira dedicada a essas peças.


Para muitos, a moda passou a significar arte quando estilistas começaram a criar roupas que faziam parte de manifestações artísticas — ou seja, elas deixaram de ser só funcionalidade e se tornaram expressão.


Reprodução: ELLE
Reprodução: ELLE

Talvez nunca haja uma resposta definitiva e uma uniformidade de opiniões, mas é justamente isso que caracteriza tanto a arte quanto a moda em áreas tão profundas e impactantes — aqui a subjetividade é ponto essencial. Elas coexistem, mas sem dependerem uma da outra, e a aproximação entre elas sempre traz fascínio.


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